domingo, 6 de março de 2011

SAIU A EDIÇÃO DO TERRORZINE Nº 23


Acabou de sair do forno a edição de nº 23 do TerrorZine: Minicontos de Terror. Nesta edição, republicamos a entrevista que Ademir Pascale fez em 2007 com o escritor Moacyr Scliar, falecido no dia 27/02/11. Você também poderá conferir uma entrevista com Fabian Balbinot, autor do livro vampírico "Doença e Cura". Dicas de livros, blogs, dezessete minicontos e um artigo exclusivo assinado pela escritora Laura Elias, intitulado "A Saga do Escritor".

Aproveitamos também para anunciar o lançamento do livro Sobrenatural: Contos Fantásticos, organizado por Ademir Pascale, com prefácio de Mateus Fornazari e com participação de dezessete autores. O lançamento ocorrerá no dia 27/03/11 (domingo), na Livraria Martins Fontes, Av. Paulista, nº 509, S. Paulo, SP (próximo à Estação Brigadeiro do Metrô). Horário: Das 15h30 às 18h30. Compareça e pegue o seu autógrafo. Sobre o evento:- Convênios com estacionamentos - Rua Manoel da Nóbrega, 95 ou 88. Primeira hora gratuita. - Na noite do evento, teremos um coquetel com vinho branco, água, refrigerante e garçom, além de um mix de castanha, amendoim e uva-passa.

Pré-venda do livro Sobrenatural na Livraria Martins Fontes: http://migre.me/3ZV28

Para participar da próxima edição do TerrorZine, visite: www.cranik.com/terrorzine.htm

Para divulgar a edição de nº 23 do TerrorZine, use o link: www.cranik.com/terrorzine23.pdf

Um forte abraço e uma ótima leitura.

quarta-feira, 2 de março de 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO "SOBRENATURAL", EM 27/03/11 (DOMINGO) EM SP

ENTRADA FRANCA. COQUETEL NO EVENTO.
Lançamento do livro SOBRENATURAL, dia 27/03 das 15h30 às 18h30, na Martins Fontes, Av. Paulista, 509, SP. Reserve desde já o dia 27/03 (domingo) Compareça e pegue o seu autógrafo. Aproveite, leve os seus amigos e familiares, aproveite e leve também os seus exemplares para serem autografados: Draculea 1 e 2, Metamorfose, Poe 200 anos, Invasão, no Mundo dos Cavaleiros e Dragões, Zumbis: Quem disse que eles estão mortos? e O Desejo de Lilith.
Aguardarei você.
@ademirpascale

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

ENTREVISTA QUE FIZ COM MOACYR SCLIAR, EM 27/11/2007

Ademir Pascale: Como foi o início da sua trajetória como escritor?

Moacyr Scliar
: Comecei a escrever desde criança; minha mãe, professora, alfabetizou-me e estimulou-me a ler. Meu pai, por outro lado, imigrante como minha mãe, era um grande contador de histórias e foi dele que adquiri o prazer da narrativa que, seguindo o exemplo de Monteiro Lobato e de Érico Veríssimo eu queria colocar no papel. Minhas primeiras histórias eram contos infantis; a entrada na Faculdade de Medicina ampliou o horizonte de minhas experiências e foi na Faculdade que publiquei meu primeiro livro de contos.

Ademir Pascale: Qual a causa da escolha pela Medicina?

Moacyr Scliar: Foi uma motivação diferente daquela que me levou à literatura. Em criança eu tinha muito medo de doença. Eu não tinha medo de ficar doente, não era, e não sou, hipocondríaco; mas quando meus pais adoeciam eu entrava em pânico. Por causa disso comecei a me interessar por doenças e pela medicina o que me levou a esta carreira que foi e é uma fonte permanente de gratificações.

Ademir Pascale: Quais são as principais influências na construção de suas obras?

Moacyr Scliar: No início, Monteiro Lobato. Depois, Érico Veríssimo e Jorge Amado. Mais tarde ainda, Dalton Trevisan, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, e Franz Kafka.

Ademir Pascale: Com qual autor você mais se identifica?

Moacyr Scliar: Com os mencionados acima.

Ademir Pascale: O que você diz sobre o tratamento da maioria das editoras brasileiras com as obras que recebem dos jovens autores que procuram um lugar no mercado literário?

Moacyr Scliar: Estreantes tem uma tarefa dura pela frente. Editoras são empresas e como empresas levam inevitavelmente em consideração o mercado, onde as chances de um escritor desconhecido são pequenas. Meu conselho aos que estão começando é que tratem de publicar por todos os meios a seu alcance (jornais, antologias, Internet) e que concorram a todos os prêmios possíveis. Isto pode aumentar o interesse das editoras.

Ademir Pascale: Você escreve diversos gêneros literários, mas qual é o seu predileto e por quê?

Moacyr Scliar: Gosto do conto, pelo desafio. Escrever um bom conto é, ao contrário do que possa parecer, muito difícil. Mas um bom conto é um triunfo literário.

Ademir Pascale: Qual a sua opinião referente a adaptação do seu romance "Sonhos Tropicais", sob direção de André Sturm para o cinema?

Moacyr Scliar: Acho que foi uma adaptação correta, bem feita, e que reconstitui muito bem a época de Oswaldo Cruz. Tenho discutido o filme com estudantes universitários (da área da saúde, sobretudo) e vejo que eles gostam muito.

Ademir Pascale: Como foi o dia da posse da cadeira de nº 31 da Academia Brasileira de Letras e o que sentiu no momento do discurso de posse?

Moacyr Scliar: Fiquei mais emocionado do que poderia imaginar, e tratei de homenagear aqueles que, de uma forma ou outra, me ajudaram no caminho da literatura: meus pais, meus professores, meus amigos, meus editores – e o Rio Grande do Sul, onde tenho minhas raízes.

Ademir Pascale: Você escreveu mais de 80 obras, algumas foram adaptadas para mais de 20 línguas. Qual destas obras marcou a sua vida e por quê?

Moacyr Scliar: O Centauro no Jardim, uma obra em que uso a metáfora do centauro como símbolo da dupla identidade dos filhos de imigrantes (meu caso) me deu grande prazer e emoção.

Ademir Pascale: Tenho uma grande admiração por escritores e pintores que passaram por inúmeros obstáculos para o caminho do sucesso; muitos, ou a maioria, tinham uma vida atribulada de problemas de saúde, conjugais e financeiros, como Edgar Allan Poe, Charles Dickens, Sylvia Plath, Van Gogh, etc. Infelizmente, muitos não chegaram ao sucesso em vida. Você acredita que uma vida atribulada aos problemas pode influenciar na construção de excelentes obras literárias?

Moacyr Scliar: Arte é quase sempre sinônimo de vida atribulada, por razões óbvias. Acho que os artistas prefeririam reconhecimento sem atribulações, mas estas acabaram funcionando como teste para a vocação e para as convicções deles.

Ademir Pascale: Como foi o processo e o porquê da criação da obra "A Orelha de Van Gogh"?

Moacyr Scliar: O conto que dá título à obra baseia-se no conhecido incidente da vida do pintor em que ele, num acesso de loucura, cortou a própria orelha. Mas eu uso essa orelha como elemento de uma história que fala da relação complicada entre um filho e um pai.

Ademir Pascale: Poderia fazer um comentário referente a obra "A mulher que escreveu a Bíblia"?

Moacyr Scliar: Este livro nasceu da observação de um estudioso da Bíblia, o professor norte-americano Harold Bloom. Para ele parte do Antigo Testamento foi escrito por uma mulher. Acho pouco provável que isto tenha acontecido, porque afinal as culturas do Oriente Médio eram e são eminentemente patriarcais e a designação de uma mulher para escrever um livro sagrado seria quase impossível. Mas de qualquer modo fiquei pensando nessa mulher como uma personagem e daí nasceu a história.

Ademir Pascale: Como foi o projeto Moacyr Scliar (Documentário em longa-metragem)?

Moacyr Scliar: Ainda está sendo realizado, e acho que sairá muito bem.

Ademir Pascale: Para finalizar, você acha que os livros são de fácil acesso para a população brasileira? Caso não, o que poderia ser melhorado?

Moacyr Scliar: No Brasil, os livros ainda são muito caros em relação ao poder aquisitivo da população. Isto se deve a um círculo vicioso: imprime-se pouco porque as pessoas supostamente não lêem, as baixas tiragens resultam em altos preços e aí as pessoas não lêem mesmo. Soluções já estão sendo adotadas: edições mais baratas, distribuição de livros pelo governo, divulgação através da Internet. E já estamos tendo bons resultados.

Moacyr Scliar foi um dos escritores mais generosos dos quais já conheci, era também médico e imortal da Academia Brasileira de letras, ocupando a cadeira de nº 31. Scliar já escreveu mais de 80 livros, muitos traduzidos para mais de 20 línguas. Faleceu no dia 27/02/2011 (domingo).

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

CONFIRA A ENTREVISTA QUE CEDI PARA A NOVA REVISTA LITERÁRIA "ELIPSE"

A revista Elipse teve estréia esta semana, e em sua primeira edição, apresenta vários artigos interessantes, como "Vampiros Literários: da origem ao Crepúsculo", contos, poesias, crônicas e uma entrevista exclusiva comigo, Martha Argel, Giulia Moon e Nazarethe Fonseca. Confira: Clique Aqui.
@ademirpascale

domingo, 13 de fevereiro de 2011

MATÉRIA "HORA DOS ZUMBIS", COM MINHA PARTICIPAÇÃO, NO JORNAL DIÁRIO DO GRANDE ABC

Nesta última quinta-feira, fui convidado pelo jornalista Luís Felipe Soares, para participar da matéria "Hora dos Zumbis", publicada hoje no jornal Diário do Grande ABC. Acesse: http://migre.me/3RYFa ou faça o download do arquivo pdf, como foi publicado no jornal impresso, neste link: http://migre.me/3SsDk
@ademirpascale

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A ESCRITORA ANA LÚCIA MEREGE FALA SOBRE O SEU NOVO LIVRO O CASTELO DAS ÁGUIAS


ENTREVISTA:

Ademir Pascale: Primeiramente, agradeço por aceitar a entrevista. Para iniciarmos, gostaria que dissesse quais foram as suas principais influências e o seu início para o meio literário.

Ana Merege: Eu é que agradeço a oportunidade. Bom, eu sou daquelas pessoas que leem muito desde a infância, e sempre fui eclética. Não posso dizer que minhas leituras foram orientadas – claro que meus pais, avós e irmãos mais velhos sugeriam livros, mas eu lia direto o que tinha nas estantes de casa, que eram várias. Lembro-me de gostar muito de Malba Tahan, de clássicos infantis, tipo “Peter Pan” e “Alice”, e de livros de aventura, como “O Chamado Selvagem”, de Jack London (um dos meus favoritos até hoje). E ao mesmo tempo de ler Graciliano Ramos, Gorki e Hermann Hesse, quando eu tinha uns 10 ou 12 anos. Nessa época eu já escrevia muito, embora não concluísse nada. Eram histórias muito longas passadas em vários lugares, reais ou não, e em épocas distantes. Algo próximo da fantasia histórica. Escrevia poemas também. Se posso dizer que algum livro influenciou meu pendor por fantasia, este foi lido aos 16 ou 17 anos: a tetralogia arturiana da Marion Zimmer Bradley, “As Brumas de Avalon”. Foi um mundo inteiramente novo o que se abriu ali para mim. Outra “janelinha” foi aberta por “A História Sem Fim”, de Michael Ende, e outra ainda por “O Senhor dos Anéis”, mas em termos de estilo, se já tentei me igualar ou imitar algum deles, sem dúvida foi o da Marion. Hoje não acho que escreva parecido, mas os leitores dirão. Comecei a publicar tardiamente, a partir de 2004. Um conto e um poema em antologias, alguns artigos e, depois, “O Caçador”, em sua edição independente (ele saiu depois pela Franco, de Juiz de Fora, em 2009). Aí fui tentando, tentando, as oportunidades se ampliando com a Internet e novas editoras e, bom, cheguei até aqui.

Ademir Pascale: Foi anunciado recentemente o lançamento do livro O Castelo das Águias, pela editora Draco. Como foi a ideia inicial para a construção da obra?

Ana Merege: O universo de Athelgard, onde se passam essas histórias, existe desde o final dos anos 1990. Originalmente ele seria baseado no mito de Atlântida, depois deu uma guinada e passou a ter lendas baseadas nos mitos nórdicos. Os personagens foram surgindo aos poucos. A primeira ideia da Escola de Artes Mágicas e do Castelo das Águias surgiu quando escrevia histórias de um saltimbanco chamado Cyprien de Pwilrie, protagonista de um outro livro independente (e esgotado), “O Jogo do Equilíbrio”. Os personagens ligados ao Castelo ficaram porém adormecidos até 2002, 2003, por aí, quando eu comecei a rabiscar uns textos sobre uma contadora de histórias chamada Anna. Ela vivia numa floresta, mas ia viajar, conhecia uma porção de gente, inclusive um mago por quem se apaixonava... e de repente me deu um estalo, que tal ela ir viver naquela Escola de Magia que eu deixei lá atrás? Foi a partir daí que toda a história se desenrolou.

Ademir Pascale: E como estão os preparativos para o lançamento?

Ana Merege: Estou divulgando o livro o máximo que posso e, felizmente, tenho muita ajuda por parte da editora e de vários amigos. Criei um blog para o Castelo, onde já estou contando sobre o universo e os personagens. Logo postarei alguns contos e abrirei espaço para que os leitores também participem, mas claro que tudo isso vem aos poucos.Quanto ao lançamento no sentido de evento, ainda não tem nada planejado, mas eu gostaria de agendar um aqui no Rio em abril ou no início de maio. E, se possível, um em São Paulo, onde tenho muitos amigos. Daí em diante, aguardo convites. ;)

Ademir Pascale: Se você fosse indicar uma trilha sonora para o livro O Castelo das Águias, qual seria?

Ana Merege: No geral, se fosse escolher um estilo, seria baseado em música celta, tipo Loreena McKennitt, mas alguns personagens teriam músicas próprias que seriam bem diferentes. Por exemplo, o tema do Kieran não poderia ser outro senão “I would do anything for love”, do Meat Loaf. Por quê? Leiam o livro, ora. ;)

Ademir Pascale: Você poderia destacar uma frase do livro para os nossos leitores?

Ana Merege: Será o lema da Escola de Artes Mágicas: “Pela Magia e pela Arte”!

Ademir Pascale: Como os interessados deverão proceder para saber mais notícias sobre você e o livro?

Ana Merege: Através do blog http://www.castelodasaguias.blogspot.com/ , do meu blog pessoal http://www.estantemagica.blogspot.com/, do site http://editoradraco.com/ e do twitter. O meu é @anamerege e o da editora é @editoradraco. Ah, sim, tanto a editora como o blog A Estante Mágica têm comunidades no Orkut e páginas no Facebook.
Ademir Pascale: Existem outros projetos em pauta?

Ana Merege: Sim, no momento tenho um livro começado, o romance juvenil “O Povo Pequeno”, e estou tomando notas a fim de escrever para três antologias: “Eu Acredito”, da Literata, que também irei prefaciar, “Sagas 3 – O Martelo das Bruxas”, da Argonautas, e “Meu Amor é um Mito”, da própria Draco. Também pretendo escrever um conto para a revista virtual “1000 Universos”, do Júnior Cazeri, e um para a antologia de audiocontos da Anny Lucard, do blog “Contos Sobrenaturais”. Está ainda nos planos mais um livro teórico no estilo de “Os Contos de Fadas”, publicado ano passado pela Claridade, e também um livro infantil. Mas essa, como diriam os mestres de sagas, já é outra história.

Perguntas Rápidas:

Um livro: A História Sem Fim, de Michael Ende.
Um(a) autor(a): Hermann Hesse, pelo conjunto da obra e seu significado.
Um ator ou atriz: Christian Bale. Sim, eu adoraria que ele interpretasse o Kieran.
Um filme: A Companhia dos Lobos, de Neil Jordan.
Um dia especial: Quando minha filha Luciana nasceu: 01/02/2001.
Um desejo: Se puder ser alguma coisa realmente grande, queria um mundo pacífico, livre da guerra e da fome. Se for algo pra mim, desejo paz interior – serenidade pra enfrentar o que vier, seja no campo pessoal ou no profissional. E tirar disso as melhores lições.

Ademir Pascale: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Ana Merege: Agradeço a atenção e o espaço concedidos. Espero que todos venham a conhecer e curtir meu trabalho e que a Litfan nacional continue a crescer e a conquistar leitores de todas as idades. Muito obrigada!
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Para ler outras entrevistas, acesse: http://www.cranik.com/entrevistas.html
@ademirpascale

sábado, 22 de janeiro de 2011

CAPA COMPLETA DO LIVRO SOBRENATURAL

A capa do livro Sobrenatural: Contos Fantásticos, ficou pronta. O lançamento ocorrerá em março ou abril. Postarei mais informações sobre local e data em fevereiro. Clique sobre a capa para ampliá-la. Abração.
@ademirpascale

sábado, 8 de janeiro de 2011

COLEÇÃO FANTÁSTICA - LIVROS COM ATÉ 50% DE DESCONTO

Agora você poderá adquirir qualquer título da Coleção Fantástica por apenas R$ 15,00, autografados por Ademir Pascale e com frete grátis. Mas atenção, a promoção é válida somente do dia 08/01/11 a 21/01/11
Promoção válida para os títulos: Draculea: O livro secreto dos vampiros V1, Draculea: O retorno dos vampiros V2, No mundo dos cavaleiros e dragões, Metamorfose: A fúria dos lobisomens, Zumbis: Quem disse que eles estão mortos?, Poe 200 Anos: Contos inspirados em Edgar Allan Poe e Invasão.

domingo, 19 de dezembro de 2010

ENTREVISTA QUE CEDI AO BLOG ESCRITURAS DA LUA CHEIA

No último dia 16 fui entrevistado pelo André Bozzetto Junior para o blog Escrituras da Lua Cheia. Leia a entrevista na íntegra, acesse: escriturasdaluacheia.blogspot.com
Um grande abraço,

sábado, 20 de novembro de 2010

MEU NOVO ROMANCE

Estou trabalhando com afinco em meu novo romance e as páginas vão surgindo, assim como deve ser. Como já disse algumas vezes, sinto grande inspiração ao ouvir música enquanto escrevo, e quando não posso ouví-las, a imaginação faz o seu trabalho. Bom, ainda tenho muito para escrever, mas deixo um pequeno trecho como degustação. O título ainda não posso revelar ;)

DEGUSTAÇÃO DO MEU PRÓXIMO ROMANCE:

[...] Esta foi a segunda vez que o jornal local estampou a foto de Anderson nu na primeira capa, exceto pela faixa preta que cobria a sua genitália.
A primeira foi quando cansado da vida encheu a cara num boteco. Dormiu na sarjeta e acordou sem as roupas.
Este acontecimento, e alguns outros, levaram Anderson para o mundo do crime, passando a carregar uma faca de cortar pão enrolada em uma blusa de lã. Mas faltava coragem para assaltar e mesmo que insistisse para concluir os seus miraculosos planos, nada dava certo. Com ressalva de quando saiu de um supermercado com duas sardinhas em lata nos bolsos da calça. O primeiro furto foi muito fácil e isso incentivou o rapaz. Mas no segundo, quando tentou sair com um salame tipo hamburguês embaixo da camisa, foi pego pelos seguranças no estacionamento.
Felizmente, não foi preso, mas levou uma surra dentro da câmara fria do supermercado que o deixou de cama por vários dias.
E isso o fez refletir muito, estava cansado de apanhar.
Recordações da sua infância lhe invadiram a mente: lembrou-se de quando levou o primeiro tapa no rosto quando tinha cinco anos da sua prima de três anos.
Os outros tapas, chutes, puxões de cabelo, beliscões e socos vieram num turbilhão de imagens.
Ao sair engatinhando da câmara fria, Anderson prometera para si mesmo que nunca mais apanharia em sua vida. E como os sábios dizem: Deus escreve certo em linhas tortas. A surra que levou dos seguranças despertou-lhe a vontade em procurar como se defender. Precisava enrijecer os músculos e tornar-se mais hábil com os punhos. Mas a promessa ficou para o dia seguinte, pois enquanto engatinhava em direção à porta da saída, os seguranças do turno seguinte chegaram, ficaram sabendo do ocorrido e acabaram estreando suas botas novas no pobre rapaz.
Um mês depois, já quase recuperado da surra, resolveu caminhar, mancando, pelas ruas do bairro de Pinheiros. Procurava atentamente por algo que pudesse lhe auxiliar nesta luta contra a humilhação, e não foi difícil notar o musculoso boxeador estampado no grande outdoor na fachada da academia Heróis do Ring. Anderson adentrou acanhadamente no estabelecimento. O cheiro de suor revelava que ali se treinava de verdade. E logo ele se imaginou como um verdadeiro herói: forte, atraente e corajoso. Finalmente as portas se abriram, bastava ir até a recepção e se inscrever.
Mas as coisas não eram tão fáceis assim. Ele estava sem dinheiro e a mensalidade não era acessível para o seu bolso. Na realidade, nenhuma mensalidade naquele momento seria acessível.
Ele precisava pensar e resolver aquela desagradável situação. Não desistiria tão fácil de algo que tanto o ajudaria. E enquanto raciocinava, um tique nervoso o assolava. Anderson sempre coçava a cabeça com frequência quando queimava neurônios em grande quantidade, e não era apenas isso, as batidas da sola do sapato do pé esquerdo acompanhava o ritmo, causando um contínuo e irritante som para os que estavam próximos, e naquele caso, era o atendente que tentava organizar as fichas dos alunos da academia, algo que ele deixou para depois, não por vontade própria.
Foi então, por acaso, que Anderson enxergou uma placa, um pouco amarelada, fixada na parede: Precisa-se de faxineiro para trabalhar 12 horas por dia de segunda à sábado. Pagamento: 1 salário mínimo + almoço.
Seria uma ótima saída, a questão do problema: trabalhar na academia e treinar depois do expediente. E foi isso o que ele fez, conversou com o atendente, que pegou uma prancheta e fez uma pequena entrevista:
- Qual o seu nome completo?
- Anderson Gutierres.
- Nacionalidade?
- Brasileira.
- Idade?
- Acabei de completar dezenove anos.
- Fuma?
- As vezes.
- Bebe?
- Bebo, mas só nos finais de semana.
- Tem preferência para horário?
- Não.
- Tem experiência como faxineiro.
- Não tenho, mas garanto que aprendo bem rápido, afinal, quem não sabe varrer um chão, tirar pó ou limpar algumas janelas?
- Tem que limpar também os banheiros...
- É?... bom, não tem problema, eu limpo – Anderson faz um sorriso forçado.
- Humm... Gostei, você é bem direto. Está contratado – disse o atendente e também dono da academia, completando as lacunas da ficha. – O pagamento será sempre no quinto dia útil do mês, ok?
- Ok! Mas antes posso fazer uma pergunta? – disse Anderson feliz da vida e quase atropelando as palavras.
- Claro!
- Percebi que o espaço da academia é bem amplo. Notei também algumas salas lá no fundo. Será que eu posso treinar e dormir aqui depois do meu expediente de trabalho?
O dono da academia se debruça sobre o balcão, depois põe a mão no queixo e olha fixamente para o vazio, depois para Anderson. A espera é terrível para aquele jovem, uma eternidade... Basta uma simples resposta para mudar a vida de uma pessoa. Mas as coisas boas demoram para acontecer, principalmente para Anderson. Demoram muito, e isso o deixa mais uma vez impaciente, e a sua vontade é de estrangular o homem a sua frente e arrancar a resposta daquela garganta. O tic-tac do relógio na parede se torna insuportável. As batidas da sola do pé esquerdo se iniciam, só que agora são contadas em pensamento, uma por uma, pelo menos até a batida de número dezessete, quando finalmente, após trinta e oito segundos de tensão e gotas de suor escorrendo de sua testa franzida, a fatídica resposta sai em câmera lenta da boca daquele homem que pode lhe salvar a vida e a sua integridade: [...]

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Fanzine TerrorZine 22


Já está disponível o nº 22 do fanzine TerrorZine. Recebemos para esta edição o miniconto Noite de Amor na Galáxia, do escritor André Carneiro, produzido no ano de 1963 e traduzido para o inglês por um dos maiores escritores de FC do mundo, Damon Knight (1922-2002). Segundo o próprio André, um fã lhe garantiu que este foi o primeiro miniconto publicado no Brasil. Porém a tradução feita por Damon Knight não chegou a ser publicada nos EUA, mas hoje, em primeira mão, você poderá conferi-la nas páginas do nosso fanzine (pág. 30), um importante trabalho do decano dos escritores de FC do Brasil traduzido para o inglês por um dos dez maiores escritores americanos, título dado através de uma pesquisa feita na Califórnia.
Confira também nesta edição entrevistas com os escritores e roteiristas Estevan Lutz, Anderson Almeida e Jonatas Tobias, além de excelentes dicas de livros e minicontos dos escritores André Bozzetto Junior, André Carneiro, André Schuck Paim, Braulio Tavares, Edson Rossatto, Felipe Anlandt Simm, Gabriel Burani, Laura Elias, Miriam Santiago, O. A. Secatto, Renato A. Azevedo, Waldick Garrett e destes que vos escreve.

Baixe e divulgue o TerrorZine. Link para download desta edição: http://www.cranik.com/terrorzine22.pdf

Desejamos-lhe uma ótima leitura.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O meu romance O Desejo de Lilith na revista americana Locus


Fiquei sabendo hoje que saiu um artigo mencionando o meu romance O Desejo de Lilith na revista americana Locus, na coluna do escritor Roberto Causo. É só clicar na imagem acima.
@ademirpascale

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Al Green "How can you mend a broken heart"

E quem disse que eu gosto apenas de rock? Gosto de tudo aquilo que é feito com o coração e que deixa transparecer nitidamente o espírito do seu autor. E assistindo este vídeo e ouvindo esta música, é difícil dizer o contrário. A energia flui para todos nós, basta aceitá-la.

@ademirpascale